| S | T | Q | Q | S | S | D |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 2 | |||||
| 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |
| 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 |
| 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 |
| 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 |
Quando a casa ficava por mais de meia hora em silêncio., a mãe logo se fazia de plantão, atenta aos sinais daqueles momentos. O que estaria acontendo? Onde foram parar aqueles moleques?
Humm !!! devem estar no quintal. Qual nada ! Onde foram parar?
Não demorou muito, ouviu as gargalhadas vindas do quarto das crianças. Tentou se conter apesar da vontade de ver o que estava se passando, as gargalhadas continuavam e incontrolável a curiosidade de saber o que os divertia daquele jeito.
Esperou, afinal não queria ser surpreendida pelas crianças numa atitude infantil ao ceder a seu impulso de 'xeretice" . Ah, mas se estiverem fazendo arte ? Como saber ?
Os risos continuavam no quarto, e a mãe se inquietava, acho melhor ir ver.
De repente, se conteve, resolveu voltar atrás, e considerou que agora era preciso esperar. Deixar brincar e fazer arte as crianças. Seria agora ou nunca. Ou então quem sabe um dia, depois de muitos anos depois....Nunca mais !
Quem não conhece a praça da República em São Paulo ? Penso que quase todo morador da cidade já esteve lá alguma vez.. Eu, uma autêntica "rata de feiras de artesanato" não consigo ficar sem dar uma passadinha pela praça, pelo menos um domingo a cada mês.
Ultimamente, parece que a praça NÃO consegue reeditar o"glamour" histórico que teve nos anos 70. Por outro lado, por tradição, ou teimosia, continua impregnada de histórias que , valentemente são expressas pelos artesãos que todos os domingos expõe seus produtos, ou de outros , pois a autencidade mudou de ares, e até um certo ar de "camelodromo" está presente , incorporada no lugar.
E destas histórias que o Juliuz, um dos artistas guardiões do espírito histórico e social da praça e porque não dizer da cidade também conta para quem quiser parar e ouvir. Apreciar seu trabalho, e ter um "um dedinho de prosa " sobre qualquer assunto com o Julioz é no mínimo uma experiência provocadora e cheia de surpresas.
Não só o Julioz, cada pessoa que alí está, como exemplo, o jornaleiro, tem muitos "causos" pra contar e fazer a gente conhecer um pouquinho mais de perto esta cidade tão fabulosa que é São Paulo.
As voltas que o mundo dá
não conta as histórias que há
bem longe de minhas falas
silêncio de muitas almas
todas querendo falar
Origens despedaçadas...
por vezes desconhecidas
a procura de novos laços
pra velhos desembaraços
Exercicio de aula - primeira poesia Um pedaço de mim
Estou surpresa comigo. Não me imaginava amante de poesia. Da arte sim, mesmo que fosse de forma dissimulada. A sobrevivência era prioridade, depois a arte e a beleza no discurso lá de casa não serviam pra nada. Só eu achava importante, mas não podia manifestar, então vida dupla ! Fantasia !
Como ? Só muito escondida. Escondendo de todo mundo até de mim, as minhas vontades, me conhecer, me aceitar e assumir..... não havia tempo. (deve ser por isso que morar só foi primordial)
Ser firme e forte foi o que importou. Foi útil. Agora pode ser menos e não é tão simples mudar. Para mim nem tanto, afinal nem sei como, desenvolvi um espaço interior para ser eu mesma, e mesmo sem ter muita habilidade procuro expandir para fora dos meus limites interiores as graças e belezas que consigo acessar e quem sabe um dia consiga até compartilhar. Me vejo muito desajeitada para muitas coisas e gosto do meu esforço de ser menos dura e assumir cada vez mais poesia e beleza nos meus dias.