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Terra Blog

Arquivo de: Setembro 2008

30.09.08

Praça da Répública

Quem não conhece a praça da República em São Paulo ?  Penso que quase todo morador da cidade já esteve lá alguma vez..  Eu, uma autêntica "rata de feiras de artesanato"  não consigo ficar sem dar uma passadinha pela praça, pelo menos um domingo a cada mês. 

Ultimamente, parece que a praça NÃO consegue   reeditar  o"glamour"   histórico que teve nos anos 70.  Por outro lado,   por tradição, ou teimosia,  continua  impregnada  de histórias que , valentemente são expressas pelos artesãos que todos os domingos expõe  seus produtos, ou de outros , pois a autencidade  mudou de ares,  e até  um certo ar de "camelodromo"  está presente , incorporada no lugar. 

E destas histórias que o Juliuz, um dos  artistas guardiões do espírito histórico e social da praça e porque não dizer da cidade também conta para quem quiser parar e ouvir.   Apreciar seu trabalho,  e ter um "um dedinho de prosa " sobre qualquer  assunto com o Julioz   é no mínimo uma experiência provocadora e cheia de surpresas.

Não só o Julioz,   cada pessoa que  alí está,  como exemplo,  o jornaleiro,  tem muitos "causos" pra contar e fazer a gente  conhecer um pouquinho mais de perto  esta cidade tão  fabulosa que é São Paulo.

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  • Postado em 11:59:38

22.09.08

Herança Brasileira

A cada dia que passa reconstituo minha história. A vida vai me apresentando cenas para eu reintrepretar e muitas vezes não me dou conta dos presentes e do presente. Claro nem sempre é assim. Semana passada, mais precisamente na quinta-feira, quando ouvia os comentários de aula do professor João Jonas, sobre o texto "O Efermeiro" de Machado de Assis, fui tomada de uma dose de alívio para minha consciência que naquela semana estava mergulhada num confito de como traçar limites saudáveis em minha relação com a diarista que presta serviços em minha casa.  Evidente que foi apenas um alívio temporário,  porque naquela semana estava eu sozinha a me questionar também sobre a crueldade de certas relações. Por mais que eu me esforce para mostrar a ela (a diarista) que quero manter um distanciamento e não desejo nenhuma invasão em minha privacidade, entrego a limpeza de minha casa a uma pessoa que só não  terá acesso a minha intimidade se for completamente incapaz de qualquer percepção, o que também invialbilizaria seu trabalho. Por outro lado eu também não excluo a minha "necessidade" de ter o apoio de uma prestação de serviços quinzenal na manutenção da limpeza de "minha querida casa". Pronto, estabelecida ai a intimidade ! Como negar e como administrar certos coment rios que não quero ouvir ou mesmo fazer? Afinal de contas estou lidando com uma pessoa e não uma m quina que necessita apenas de energia el‚trica e alguns cuidados de manutenção recomendados pelo fabricante ? No caso da diarista, tomo contato com nossas semelhanças humanas e nossas diferenças sociais resultado de nossas histórias. E olha que eu, assim como ela me vejo em muitos momentos herdeira das mesmas raizes. Brasileira, filha de pai nordestino, e mãe descendente de portugueses que tiveram muita dificuldade para viver e tentar educar seus tres filhos . Bem não vou agora escrever biografias simultâneas, a minha e a dela. O fato ‚ que a releitura do texto também aumentou meu senso de crítica e cuidado, para refletrir sobre atitudes de "falsa benevolência" de minha parte para procurar deixar claro, sempre que possível , que quero ao receber a prestação de um serviço seguindo alguns códigos de conduta que permitam mais respeito mutuo, apesar das nossas necessidades. A minha do serviço,  e a dela do trabalho e do dinheiro.Acho que ainda vou me deparar com muitos conflitos desta natureza, e depois da leitura do Enfermeiro, também não vou me redimir de minha responsabilidade, consciente que a história não  começou em mim, mas quem sabe a partir de mim ela pode ser melhor ?
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  • Postado em 12:32:22