22.09.08
Herança Brasileira
A cada dia que passa reconstituo minha história. A vida vai me apresentando cenas para eu reintrepretar e muitas vezes não me dou conta dos presentes e do presente. Claro nem sempre é assim. Semana passada, mais precisamente na quinta-feira, quando ouvia os comentários de aula do professor João Jonas, sobre o texto "O Efermeiro" de Machado de Assis, fui tomada de uma dose de alívio para minha consciência que naquela semana estava mergulhada num confito de como traçar limites saudáveis em minha relação com a diarista que presta serviços em minha casa. Evidente que foi apenas um alívio temporário, porque naquela semana estava eu sozinha a me questionar também sobre a crueldade de certas relações. Por mais que eu me esforce para mostrar a ela (a diarista) que quero manter um distanciamento e não desejo nenhuma invasão em minha privacidade, entrego a limpeza de minha casa a uma pessoa que só não terá acesso a minha intimidade se for completamente incapaz de qualquer percepção, o que também invialbilizaria seu trabalho. Por outro lado eu também não excluo a minha "necessidade" de ter o apoio de uma prestação de serviços quinzenal na manutenção da limpeza de "minha querida casa". Pronto, estabelecida ai a intimidade ! Como negar e como administrar certos coment rios que não quero ouvir ou mesmo fazer? Afinal de contas estou lidando com uma pessoa e não uma m quina que necessita apenas de energia el‚trica e alguns cuidados de manutenção recomendados pelo fabricante ? No caso da diarista, tomo contato com nossas semelhanças humanas e nossas diferenças sociais resultado de nossas histórias. E olha que eu, assim como ela me vejo em muitos momentos herdeira das mesmas raizes. Brasileira, filha de pai nordestino, e mãe descendente de portugueses que tiveram muita dificuldade para viver e tentar educar seus tres filhos . Bem não vou agora escrever biografias simultâneas, a minha e a dela. O fato ‚ que a releitura do texto também aumentou meu senso de crítica e cuidado, para refletrir sobre atitudes de "falsa benevolência" de minha parte para procurar deixar claro, sempre que possível , que quero ao receber a prestação de um serviço seguindo alguns códigos de conduta que permitam mais respeito mutuo, apesar das nossas necessidades. A minha do serviço, e a dela do trabalho e do dinheiro.Acho que ainda vou me deparar com muitos conflitos desta natureza, e depois da leitura do Enfermeiro, também não vou me redimir de minha responsabilidade, consciente que a história não começou em mim, mas quem sabe a partir de mim ela pode ser melhor ?
-
criado por Tecendo em Palavras
12:32:22